O Zoobotânico Municipal de São José do Rio Preto (SP) já abriu a visitação ao mais novo morador do parque: a onça-pintada (Panthera onca), resgatada ainda filhote de um cativeiro ilegal no Pará.
O animal, que tem 2 anos e pesa cerca de 50 kg, chegou ao zoológico no dia 4 de julho, após uma longa jornada iniciada no BioParque Vale Amazônia, em Parauapebas (PA), e agora já pode ser visto pelo público.
O felino passou por um período de quarentena e adaptação em recinto isolado, onde foi cuidadosamente monitorado pela equipe do Zoobotânico. Agora, já ocupa o novo recinto construído especialmente para a espécie, com quase 500 m², tanque para banho, troncos, plataformas e áreas de sombra, que simulam de forma enriquecida o habitat natural da onça.
“O grande objetivo hoje dos zoológicos é garantir que o animal viva bem, com o máximo de elementos que simulem o habitat natural. Ela tem espaço para se movimentar e se esconder, o que é essencial para evitar estresse”, explica o veterinário responsável técnico do Zoobotânico, Bernhard Von Schimonsky.
A história da onça impressiona. Ela e o irmão foram resgatados pelo Ibama em 2023, no município de Tomé-Açu (PA), debilitados, desnutridos e usando coleiras de cachorro, após a morte da mãe por caçadores. Após tratamento e reabilitação, foram acolhidos pelo BioParque no Pará.
A transferência para São Paulo faz parte de um programa nacional de conservação e manejo de espécies ameaçadas, coordenado pelo ICMBio, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, IBAMA e Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB). O irmão do animal foi encaminhado ao Zoológico de Guaíra (SP).
A viagem até Rio Preto exigiu uma força-tarefa e contou com apoio logístico de uma empresa aérea, por meio do programa Avião Solidário, que reduziu o tempo de transporte de mais de 35 horas por estrada para apenas seis horas de voo.
Além de abrigar a onça, o Zoobotânico de Rio Preto integra um plano de conservação da espécie e aguarda, futuramente, a indicação de uma fêmea para que o felino possa contribuir com a reprodução da espécie em cativeiro. “Estamos integrados a um plano nacional de conservação da onça-pintada. Nosso objetivo é contribuir com a reprodução e, futuramente, com a reintrodução ou fortalecimento genético da população, se necessário”, afirma o veterinário.

