A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por intermédio da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), coordenou a Operação Ayla, deflagrada para localizar e recuperar uma criança de apenas 26 dias de vida, sequestrada na última sexta-feira (07), em Campo Grande. Duas pessoas foram presas neste domingo no Paraguai.
Desde o momento em que tomou conhecimento do sequestro, a DEPCA iniciou investigação, mantendo suas equipes mobilizadas de forma ininterrupta por mais de 48 horas, por meio de ações de inteligência, levantamentos, cruzamento de informações e diligências destinadas a identificar os envolvidos, reconstruir a dinâmica do crime e, principalmente, localizar e resgatar a criança sequestrada.
A investigação contou com o apoio operacional da Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (GARRAS), Delegacia Especializada de Repressão aos Furtos e Roubos de Veículos (DEFURV) e da Delegacia Regional de Ponta Porã, cujas equipes participaram das diligências e da deflagração da operação.
O sequestro
Segundo as informações levantadas pela investigação, uma mulher teria atraído a mãe da criança para sua residência, em Campo Grande, onde o bebê, de apenas 26 dias de vida, foi sequestrado. Após o sequestro, a mãe e uma irmã (adolescente) teriam sido deixadas no bairro Jardim Colibri pelos envolvidos.
A partir do registro da ocorrência, a prioridade absoluta da Polícia Civil passou a ser a localização da criança sequestrada, desencadeando uma força-tarefa que permaneceu em atividade ininterruptamente. As ações de inteligência conduzidas pela DEPCA permitiram reunir informações sobre a possível localização dos envolvidos e indicaram que a criança poderia ter sido levada para o território paraguaio.
Investigação ultrapassa a fronteira
Diante da possibilidade de que o bebê sequestrado tivesse sido levado para o Paraguai, a Polícia Civil iniciou imediatamente os procedimentos de cooperação policial internacional, compartilhando as informações produzidas durante a investigação com as autoridades paraguaias. A partir desse compartilhamento, foi desencadeada uma ação conjunta entre as forças de segurança dos dois países.
No Paraguai, participaram das diligências o Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, o Grupo Antissequestro do Paraguai – DAS, além das estruturas especializadas da Polícia Nacional paraguaia responsáveis pela investigação criminal, combate ao crime organizado e cooperação policial internacional.
Localização do bebê
Às 1h15min da madrugada deste domingo (09), equipes do Comando Bipartito – Pedro Juan Caballero, com apoio dos operadores táticos da Direção de Polícia do Amambay e do Grupo Antissequestro – DAS, cumpriram mandado judicial de busca em um imóvel localizado na cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. No local, os policiais localizaram a criança recém-nascida.}
O bebê estava na posse de um casal de brasileiros, tratando-se da autora do sequestro, que foi preso em flagrante pelas autoridades paraguaias por possível participação no sequestro. Durante a ação foram apreendidos aparelhos celulares, documentos e um veículo, materiais que poderão auxiliar no esclarecimento da dinâmica do sequestro e na identificação de eventual participação de outras pessoas. Após ser localizada, a criança foi encaminhada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde recebeu os cuidados necessários.
A Operação também contou com apoio de agentes do Consulado Americano, em São Paulo. No Paraguai, a atuação integrada do Comando Bipartito, do Grupo Antissequestro – DAS, da Direção de Polícia do Amambay e das demais unidades envolvidas na cooperação policial internacional permitiu que a investigação brasileira tivesse rápida resposta operacional do outro lado da fronteira.
Amber Alert é utilizado pela primeira vez em Mato Grosso do Sul
Durante a mobilização provocada pelo sequestro da criança, Mato Grosso do Sul utilizou, pela primeira vez, a ferramenta Amber Alert, disponibilizada pelo Ministério da Justiça para ampliar a divulgação de casos envolvendo crianças desaparecidas. As informações foram compartilhadas nas redes sociais, incluindo Facebook e Instagram, ampliando o alcance do alerta e mobilizando a sociedade.
Investigação continua para esclarecer todo o sequestro e identificar eventual participação de outras pessoas na organização e execução do crime.
Os objetos apreendidos no Paraguai também deverão ser analisados e poderão fornecer novas informações sobre o planejamento, a execução e o deslocamento da criança após o sequestro em Campo Grande.

