Receosos com possíveis condições climáticas desfavoráveis no fim da safra, produtores de soja reduziram as vendas antecipadas do grão. Segundo dados da Granos Corretora, 30,2% do que se espera colher entre o fim de janeiro e todo o mês de fevereiro já foi comercializado, enquanto nesse mesmo período do ano passado, 48% do produto já havia sido negociado, diferença de 18%.
A venda antecipada é uma forma de garantir o escoamento das 7,8 milhões de toneladas previstas para 2017, já que a entrada dos grãos norte-americanos no mercado, com preços competitivos, tende a dificultar o comércio.
"Em Mato Grosso do Sul, a colheita ainda não começou. No entanto, em outras partes do país, é possível que tenha começado, afinal o Brasil tem dimensões continentais e clima variados em sua extensão. Portanto, a colheita no Brasil acontece o ano o inteiro. Mas, em Mato Grosso do Sul, o agricultor começa a colher, de fato, a partir da segunda quinzena de janeiro”, aponta o presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), Christiano Bortolotto.
O departamento econômico da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária do Estado) afirma que existe possibilidade do chamado veranico, que consiste em um período sem chuvas em com tempo seco, ou das interferências do fenômeno La Niña.
Danilton Flumignan, meteorologista da Embrapa Dourados, disse ao Campo Grande News que diante dos prognósticos para os próximos meses não há o que se preocupar.
O início do plantio, em meados de outubro, foi marcado por intensa estiagem, mas a partir de dezembro, as chuvas se regularizaram principalmente na região sul, de onde vem boa parte da soja de Mato Grosso do Sul.
“A chuva em dezembro e janeiro coincidiu com uma fase que planta precisa de bastante água. A perspectiva dos institutos que fazem essas previsões é que a regularidade das chuvas permaneça em janeiro. A possibilidade de vir a faltar água aparece somente a partir de fevereiro, ocasião quando normalmente se começa as colheitas. De certo modo é desejável que isso aconteça porque favorece o trabalho das máquinas e, no caso de quem plantou tardiamente, a secar o grão”, explica.
Flumignan acrescenta que os últimos 20 dias do grão no campo tem exigência hídrica reduzida. Devem ser prejudicados apenas quem deixou para semear em meados de novembro, por influência da estiagem nos meses anteriores.
“Esses podem enfrentar um probleminha com seca na última semana de janeiro para começo de fevereiro”, conclui.
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