A vida não grita.
Ela sussurra.
Mas só escuta quem já perdeu demais para fingir que não dói.
Vivemos correndo como se houvesse um prêmio no fim,
mas o fim é só silêncio,
e o prêmio é perceber, tarde demais,
que tudo que importava estava acontecendo
enquanto a gente distraía o próprio coração.
O mundo ensina a buscar o extraordinário,
quando o extraordinário sempre foi o simples:
a mão que seguramos por medo,
o abraço que demoramos dois segundos a mais,
a conversa que não sabíamos que seria a última.
A vida se esconde nesses instantes pequenos
porque sabe que é ali que ela é verdadeira.
O maior erro humano?
Achar que haverá tempo.
Tempo para amar,
tempo para voltar,
tempo para pedir perdão,
tempo para ser quem sempre tivemos medo de ser.
Mas o tempo é um ladrão educado:
ele não avisa quando está levando o que é nosso.
E então um dia — sem data marcada —
a vida nos coloca diante de um espelho
que não reflete o rosto,
mas a alma.
E nesse reflexo que ninguém vê,
entendemos:
não somos feitos para durar,
somos feitos para marcar.
Marcar alguém,
marcar o mundo,
marcar a nós mesmos.
Viver não é sobreviver ao tempo.
É escolher, todos os dias,
acender uma chama
mesmo sabendo que o vento existe.
E, no final,
o que vale não é o quanto vivemos…
mas o quanto nos permitimos sentir
antes que tudo virasse lembrança.
Por: Maria V Ribeiro

