Por: Maria V Ribeiro
O ano novo não chega como um milagre.
Ele não apaga cicatrizes, não devolve o que perdemos, não promete finais felizes.
Ele chega quieto.
Como um coração que ainda bate depois de tudo.
A gente entra no novo ano carregando o que sobrou do anterior:
medos que aprendemos a esconder, saudades que não cabem mais no peito,
e uma fé cansada — mas viva.
Esperança não é euforia.
É levantar mesmo com o corpo pesado.
É continuar acreditando quando seria mais fácil desistir.
É escolher ficar.
A felicidade também não grita.
Ela aparece nos intervalos.
No café quente pela manhã.
Num riso que escapa sem aviso.
Num dia em que, pela primeira vez em muito tempo, a dor não comanda tudo.
Um novo ano não significa que tudo vai ser fácil.
Significa que ainda existem chances.
De recomeçar.
De amar diferente.
De ser mais gentil consigo mesma.
De permitir que algo bom aconteça — mesmo depois de tanta coisa ruim.
Talvez a vida ainda machuque.
Provavelmente vai.
Mas a gente aprende que sobreviver também é uma forma de coragem.
E que continuar… já é vitória.
Então, se este ano for pesado, que você seja forte.
Se for bonito, que você seja grato.
E se for ambos, como quase sempre é,
que você não esqueça:
você ainda está aqui.
E isso significa que a história ainda não acabou.


