Saturno
Eu sempre soube
que a Terra era pequena demais
para o que eu sentia.
Não pequena de tamanho —
pequena de explicação.
As pessoas falavam de rotina
como se fosse destino.
Falavam de amor
como se fosse coincidência.
Falavam de Deus
como se Ele coubesse em paredes.
Mas eu…
eu sempre olhei pro céu
com a sensação estranha
de que já estive lá.
Talvez eu não pertença ao barulho.
Talvez eu seja feita de silêncio estelar
e perguntas que ninguém sabe responder.
Saturno gira paciente,
lento,
distante,
magnífico,
sem pedir permissão para existir.
E eu queria ser assim.
Não menor para caber.
Não menos intensa para ser aceita.
Não menos profunda para não assustar.
Se existe algo além
desse peso que chamam de realidade,
eu espero que seja leve.
Que seja luz.
Que seja verdade sem medo.
Que seja um lugar
onde sentir demais
não seja defeito —
mas origem.
E se um dia eu for embora
antes que entendam minha órbita,
espero que saibam:
eu não era fria.
Eu só estava
girando longe demais
para quem nunca levantou os olhos
para o céu.
Por: Maria V Ribeiro

