Na rua vazia, um homem caminha
como se carregasse um julgamento invisível.
Ninguém o acusa,
mas ele sente a sentença no próprio peito.
As janelas estão acesas,
vidas acontecem em silêncio,
e cada luz parece esconder
uma pequena batalha não declarada.
O mundo continua —
carros passam, relógios marcam,
mas dentro das pessoas
o tempo às vezes para.
Há quem sorria por hábito,
quem fale para não ouvir o próprio pensamento,
e quem se cale
com medo do que descobriria.
No fundo, todos sabem:
há uma fragilidade comum
que ninguém admite,
como um segredo compartilhado pela humanidade.
E ainda assim,
no meio desse peso invisível,
alguém olha o céu
e decide continuar vivendo.
Por: Maria V Ribeiro

