Grupo Gala reúne empresas e instituições para discutir inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

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O Grupo Gala promoveu, na quinta-feira (21), em Aparecida do Taboado, um encontro com empresas, instituições e órgãos públicos para discutir a inclusão de pessoas com deficiência (PcD) no mercado de trabalho. A reunião foi realizada no SESI SENAI e teve como principal objetivo ampliar o diálogo sobre recrutamento, seleção, cumprimento da legislação de cotas e os desafios encontrados tanto pelas empresas quanto pelos candidatos.

Participaram do encontro representantes de empresas e instituições do município, entre elas Alles Alimentos, APAE, CAPS, CREAS, CRAS, Grupo Pessoa Consultoria, SENAI, SESI, Recursos Humanos da Prefeitura de Aparecida do Taboado, AMT Produtos Elétricos S.A., Plastrela, Centro de Equoterapia, Frigosul e Casa do Trabalhador.

O encontro foi organizado pelo diretor administrativo do Grupo Gala, Sérgio Pupin, pela coordenadora de RH da empresa, Karina Alves, e contou com a participação de Mirian Gonçalves, gerente de Processos do Grupo Pessoa Consultoria de RH.

Segundo Sérgio Pupin, a iniciativa surgiu a partir de uma dificuldade enfrentada pelas empresas do município em encontrar candidatos com deficiência para preencher as vagas previstas pela legislação.

“Em Aparecida do Taboado, especialmente, temos uma dificuldade em cumprir a cota imposta pela legislação. Por isso, quisemos reunir empresas e instituições para conversar e tentar construir uma solução juntos, que seja viável para todos e que realmente promova a inclusão”, explicou.

Durante a reunião, um dos principais pontos levantados foi a falta de informação. Empresas relataram dificuldades para encontrar candidatos, enquanto instituições destacaram que muitas pessoas com deficiência deixam de procurar emprego por medo de perder benefícios sociais ou por insegurança em relação ao mercado de trabalho.

A questão dos benefícios previdenciários e assistenciais foi um dos assuntos que mais gerou dúvidas. Os participantes discutiram a transição do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o auxílio-inclusão e a possibilidade de retomada do benefício em determinadas situações após o desligamento do trabalhador.

A orientação apresentada durante o encontro foi de que tanto empresas quanto candidatos busquem informações corretas antes de tomar decisões. A situação de cada pessoa deve ser analisada individualmente, considerando o benefício recebido, a condição de deficiência, a avaliação dos órgãos competentes e as regras aplicáveis a cada caso.

Outro ponto destacado foi a necessidade de combater a ideia de que uma pessoa com deficiência necessariamente terá sua capacidade profissional limitada. Os participantes reforçaram que a deficiência não significa, por si só, incapacidade para o trabalho e que é necessário avaliar as características de cada candidato e as atividades que serão desempenhadas.

Recrutamento e preparação das empresas

Durante o encontro, o Grupo Pessoa Consultoria apresentou o projeto Recriar, desenvolvido especificamente para o recrutamento e seleção de pessoas com deficiência.

De acordo com Mirian Gonçalves, o projeto trabalha desde a identificação e aproximação com potenciais candidatos até a organização da documentação necessária para que a pessoa possa participar do processo de contratação.

A proposta também envolve a aproximação entre empresas, instituições e comunidade, buscando criar uma rede de apoio para facilitar o acesso das pessoas com deficiência às oportunidades de trabalho.

Outro aspecto abordado foi a importância de preparar o ambiente interno das empresas antes da contratação. Para os participantes, não basta encontrar um candidato e preencher uma vaga. É necessário avaliar o posto de trabalho, as atividades que serão desenvolvidas, possíveis adaptações e, principalmente, preparar as equipes e as lideranças para receber o novo colaborador.

O levantamento dos postos de trabalho foi apontado como uma ferramenta importante nesse processo. A avaliação permite identificar quais atividades podem ser desempenhadas por diferentes perfis de pessoas com deficiência e quais adaptações são necessárias para garantir melhores condições de trabalho e permanência.

Informação também precisa chegar às famílias

Durante a reunião, representantes das instituições destacaram que muitas vezes o próprio preconceito e a falta de informação começam dentro das famílias.

Pais e responsáveis podem deixar de incentivar a entrada de uma pessoa com deficiência no mercado de trabalho por receio de que ela perca um benefício ou não consiga se adaptar ao emprego.

Por isso, uma das propostas discutidas foi a realização de palestras e encontros direcionados às famílias e à comunidade, com informações sobre direitos, benefícios, possibilidades de trabalho e caminhos para buscar diagnóstico, documentação e oportunidades profissionais.

Tamirys Souza, representante da Casa do Trabalhador, destacou a importância da unidade como ponto estratégico para aproximar candidatos e empresas, especialmente nas ações de divulgação e encaminhamento para vagas de emprego.

Segundo ela, ainda existe uma baixa procura por vagas destinadas a pessoas com deficiência e, em muitos casos, os mesmos currículos acabam sendo encaminhados para diferentes empresas, diante da dificuldade de encontrar novos candidatos.

A falta de conhecimento sobre o próprio termo “PcD” também foi citada como um obstáculo. Segundo os participantes, algumas pessoas sequer sabem que determinada condição pode ser enquadrada como deficiência para fins legais, enquanto outras possuem receio de informar sua condição durante uma entrevista.

Diagnósticos e acesso à rede de atendimento

Outro tema discutido foi a importância da rede de atendimento do município na identificação e orientação das pessoas com deficiência.

Representantes da área da saúde explicaram que o município possui serviços que podem auxiliar no acompanhamento de crianças, adolescentes e adultos, especialmente em casos que envolvem deficiência intelectual, autismo e outras condições que nem sempre são identificadas de forma imediata.

Também foi ressaltada a existência de diagnósticos tardios, inclusive entre adultos que passaram grande parte da vida sem saber que possuíam determinada condição.

Para os participantes, aproximar saúde, assistência social, instituições, empresas e Casa do Trabalhador é fundamental para que a pessoa encontre orientação adequada e saiba a qual serviço recorrer em cada situação.

Inclusão depende de uma rede

Ao longo do encontro, os participantes reforçaram que a inclusão profissional não depende apenas das empresas. É necessário que exista uma rede formada por empregadores, trabalhadores, famílias, órgãos públicos, instituições de atendimento, profissionais da saúde e entidades de formação.

O SESI e o SENAI também destacaram ações voltadas à inclusão e à capacitação profissional, além da importância de identificar corretamente as necessidades dos alunos e candidatos durante os cursos e processos de formação.

Para o Grupo Gala, o encontro representa um primeiro passo para aproximar os diferentes setores e criar uma linguagem comum sobre o tema.

A proposta é que novas ações sejam realizadas em Aparecida do Taboado, incluindo palestras para a comunidade, orientações às famílias, sensibilização dentro das empresas e fortalecimento da parceria entre as instituições.

A avaliação apresentada durante a reunião foi de que, embora a legislação estabeleça a necessidade de contratação de pessoas com deficiência, o desafio vai além do cumprimento de uma cota. O objetivo é criar condições para que essas pessoas tenham acesso ao mercado de trabalho, sejam acolhidas pelas equipes e possam permanecer e se desenvolver profissionalmente.

“Se conseguirmos levar informação para a comunidade e aproximar as instituições, as empresas e as famílias, conseguimos construir juntos uma solução”, foi o entendimento defendido durante o encontro.

 

 

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