Evento reuniu produtores, técnicos, representantes do setor produtivo e autoridades para conhecer de perto uma lavoura experimental de tomate irrigado e discutir o potencial da cultura para a região
A Fazenda Filadélfia, da Val Agropecuária, em Aparecida do Taboado, foi palco nesta terça-feira (1º) de um Dia de Campo voltado à colheita de uma lavoura experimental de tomate cultivada em área irrigada. O encontro reuniu produtores rurais, profissionais do setor, representantes do Sindicato Rural de Aparecida do Taboado e do Governo de Mato Grosso do Sul, com o objetivo de apresentar os resultados da experiência e discutir novas possibilidades de negócios para o município e para o Estado.
Realizado com apoio do Sindicato Rural de Aparecida do Taboado, o evento teve início com um café da manhã e, na sequência, uma visita técnica à área de cultivo, onde os participantes acompanharam de perto a colheita mecanizada do tomate produzido em área irrigada por um pivô central.
A iniciativa chamou a atenção principalmente pelo potencial de diversificação da produção agrícola regional e pela possibilidade de, no futuro, estimular a instalação de uma indústria de processamento do tomate no próprio município.
Durante o encontro, o superintendente de Produção, Meio Ambiente e Agricultura Familiar do Governo de Mato Grosso do Sul, Rogério Tomitão Beretta, destacou que iniciativas como a desenvolvida pela Val Agropecuária representam exatamente o processo de transformação pelo qual passa a economia sul-mato-grossense.
Segundo ele, o Estado, tradicionalmente associado à pecuária e às lavouras de soja e milho, vem ampliando sua diversidade produtiva com a chegada de novas culturas e investimentos.
“Quando vocês lembrarem de Mato Grosso do Sul, lá atrás, era pecuária, soja e milho. Então agora a gente vai diversificando, vão entrando outros produtos”, destacou Beretta.
Para o representante do Governo do Estado, a experiência desenvolvida na Fazenda Filadélfia reúne pilares importantes para o desenvolvimento do agronegócio: empreendedorismo, tecnologia, ciência, irrigação, diversificação e sucessão familiar.
Beretta também ressaltou o trabalho desenvolvido pela propriedade em parceria com instituições de pesquisa, citando a utilização de tecnologia e alternativas desenvolvidas com apoio da Embrapa.
Produção experimental apresenta potencial
A área visitada possui aproximadamente 10 hectares de tomate implantados em área irrigada por um pivô de 39 hectares. Segundo o engenheiro agrônomo Gustavo, coordenador de suprimentos da Val Alimentos, trata-se do primeiro ano de cultivo da cultura pela empresa em Mato Grosso do Sul.
A variedade utilizada é a H1881, material destinado principalmente ao processamento industrial. De acordo com o técnico, a cultivar apresenta características como boa coloração, concentração de maturação e potencial produtivo elevado.
A expectativa apresentada durante o Dia de Campo é de aproximadamente 100 toneladas por hectare, embora os números definitivos ainda dependam do encerramento da colheita. Outro diferencial apontado é o sistema de produção. O tomate é cultivado em área irrigada e a colheita ocorre de forma mecanizada, com o produto seguindo a granel diretamente para a indústria. A experiência, segundo Gustavo, busca não apenas avaliar a produtividade da cultura, mas também demonstrar o potencial que o tomate pode representar para a região.
Sindicato Rural teve papel estratégico na articulação
A realização do Dia de Campo também é resultado direto da atuação do Sindicato Rural de Aparecida do Taboado, que identificou na experiência da propriedade uma oportunidade de apresentar uma nova alternativa produtiva ao município e aproximar o produtor das estruturas de apoio institucional.
O presidente do Sindicato Rural, Eduardo Sanches, explicou que a ideia surgiu durante uma visita à propriedade do produtor Valdenir Rossi, o Sr. Val, quando conheceu a área de tomate e percebeu o caráter pioneiro da iniciativa.
Em vez de limitar a visita ao conhecimento da produção, o sindicato decidiu ampliar a discussão e buscar apoio institucional para apresentar o projeto ao Governo do Estado. “Eu falei: isso é pioneirismo. Isso é novidade para um Estado que busca crescimento”, relatou Eduardo durante o encontro.
A partir daí, o presidente do Sindicato Rural buscou a aproximação com representantes do Governo de Mato Grosso do Sul, levando a proposta de ampliar a produção e criar condições para que a atividade possa crescer na região. Para Eduardo Sanches, o papel da entidade é justamente abrir novas possibilidades de negócios, conectar produtores às instituições e fomentar o desenvolvimento regional.
Governo sinaliza apoio à expansão
Durante sua fala, Rogério Beretta afirmou que o papel do poder público é criar condições para que iniciativas empreendedoras possam avançar. O representante do Governo destacou que o produtor já assume diversos riscos ao investir em uma nova atividade e que cabe ao Estado atuar institucionalmente para facilitar o desenvolvimento dos empreendimentos.
“É o Estado recebendo o empresário, e aqui, no caso, através do Sindicato Rural. Quando a gente recebe demandas através da associação é muito mais fácil e muito mais prático para atender as demandas do setor”, afirmou.
Beretta também destacou a importância da irrigação para o futuro do agronegócio sul-mato-grossense. Segundo ele, Mato Grosso do Sul possui potencial para irrigar cerca de 4 milhões de hectares, enquanto atualmente aproximadamente 120 mil hectares são irrigados. Na avaliação do superintendente, ampliar a irrigação significa criar condições para elevar a produtividade, diversificar culturas e possibilitar mais de uma safra em determinadas áreas.
Produção pode avançar para a industrialização
Um dos principais pontos levantados durante o encontro foi a possibilidade de o tomate deixar de ser apenas uma produção agrícola e, futuramente, contribuir para a instalação de uma indústria de processamento na região.
Beretta afirmou que o Governo do Estado tem como uma de suas metas agregar valor à produção primária, fazendo com que matérias-primas produzidas em Mato Grosso do Sul possam também ser transformadas dentro do próprio Estado. A perspectiva é que, com o crescimento da produção, possam surgir oportunidades para processamento de produtos como polpa e derivados de tomate, gerando empregos e movimentando uma nova cadeia econômica. “Para nós não é interessante mandar o tomate para São Paulo. É interessante mandar enquanto a gente não tem indústria aqui, porque depois a gente quer mandar a polpa de tomate”, afirmou.
O representante do Governo também colocou a estrutura estadual à disposição para avaliar possíveis mecanismos de incentivo caso o projeto de industrialização avance.
Uma propriedade que aposta na diversificação
A Val Agropecuária possui atualmente 2.230 hectares, segundo o médico-veterinário e gerente da propriedade, Mateus Moreira. A principal atividade continua sendo a pecuária de cria, mas a propriedade vem ampliando seu portfólio com diferentes culturas, entre elas soja, milho, mamão, tomate e frutas, utilizando áreas irrigadas.
São aproximadamente 430 hectares irrigados por pivôs centrais, estrutura que permite explorar diferentes alternativas produtivas e ampliar o potencial agrícola da propriedade. Para o proprietário, Valdenir Rossi,(mais conhecido como Sr. Val) a diversificação também representa uma estratégia construída ao longo de anos de trabalho e experiência no campo.
O produtor contou que a chegada à região esteve inicialmente relacionada à busca por alternativas para enfrentar problemas fitossanitários enfrentados pela produção de goiaba, atividade que desenvolve há mais de quatro décadas. A partir daí, novos projetos foram sendo incorporados à propriedade.
Durante o encontro, Sr. Val também defendeu a importância da parceria entre produtores, sindicato, poder público e empresas para superar desafios estruturais, como as dificuldades relacionadas ao fornecimento e à distribuição de energia elétrica em áreas rurais.
Nova cultura pode ampliar oportunidades para produtores
A presença de produtores e representantes do setor durante o Dia de Campo reforçou a intenção de transformar a experiência da Fazenda Filadélfia em uma referência para novas discussões sobre o cultivo do tomate em Mato Grosso do Sul.
A expectativa apresentada pelos participantes é que o avanço da cultura possa abrir espaço para a participação de pequenos e médios produtores, especialmente caso uma estrutura industrial seja instalada futuramente na região. O encontro também contou com representantes de diferentes segmentos do agronegócio, fortalecendo a proposta de criar uma rede de diálogo em torno da diversificação agrícola.
Para o Sindicato Rural de Aparecida do Taboado, a iniciativa demonstra que o desenvolvimento regional passa pela capacidade de identificar novas oportunidades e aproximar quem produz daqueles que podem contribuir para que esses projetos avancem.
Mais do que apresentar uma colheita, o Dia de Campo na Fazenda Filadélfia colocou em discussão uma possibilidade: transformar o cultivo experimental de tomate em uma nova indústria para Aparecida do Taboado e para Mato Grosso do Sul, unindo produção, tecnologia, irrigação, indústria e geração de empregos.
E, nesse processo, a atuação do Sindicato Rural aparece como elo entre o produtor e as instituições, levando uma iniciativa que nasceu dentro da propriedade rural para a mesa de discussão das políticas de desenvolvimento do Estado.



